Por Ângela Ferreira | Assistente Hospitalar Graduada de Ginecologia e Obstetrícia / Centro de Diagnóstico Pré-Natal da ULS- Algarve – Faro
A ecografia obstétrica é uma ferramenta fundamental, para identificar fetos com restrição de crescimento fetal (RCF/FGR) e fetos pequenos para a idade gestacional (SGA/PIG), permitindo uma vigilância mais adequada e uma intervenção mais antecipada, quando necessário.
O objectivo deste ensaio clinico randomizado multicêntrico foi avaliar, se a realização de uma ecografia adicional entre as 35 e 37 semanas de gestação, além da ecografia de rotina realizada entre as 28 e 32 semanas, melhora a deteção pré-natal de fetos pequenos para a idade gestacional, em grávidas de baixo risco, sem aumentar a taxa de cesarianas ou a morbilidade neonatal.
O ensaio clinico incluiu 813 grávidas nulíparas com gravidez única de baixo risco. Foram distribuídas em dois grupos, um de controlo que realizou uma ecografia entre as 28-32 semanas e o grupo de intervenção, que para além da ecografia de rotina entre 28-32 semanas, realizou uma ecografia adicional entre as 35-37 semanas. O objetivo principal foi identificar pré-natal, recém-nascidos com peso inferior ao percentil 10. Foram também avaliados o número de cesarianas, internamento na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN) e desfechos perinatais.
Os resultados mostraram que a ecografia adicional, aumentou significativamente a deteção de fetos pequenos para a idade gestacional e reduziu os internamentos na UCIN, sem aumentar a taxa de cesarianas, induções do parto ou outras complicações neonatais. O ponto menos positivo foi aplicar-se apenas, a gestações de baixo risco e não se extrapolar para gravidezes de alto risco.
O estudo mostra que a realização de uma ecografia no final do 3º trimestre, em gravidez de baixo risco, melhora a identificação da restrição de crescimento fetal tardia e pode levar a melhores desfechos neonatais, sem aumentar as intervenções obstétricas. No entanto, são necessários mais estudos para avaliar o impacto nos desfechos perinatais menos comuns e a relação custo-efetividade desta medida.