Por Mónica Centeno | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia e Ginecologia // Responsável pelo Internamento de Obstetrícia da ULSS Maria // Assistente convidada da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
A escolha deste artigo prende-se com a necessidade de esclarecimento da população e dos clínicos relativamente a preocupações recentes acerca do impacto da utilização do paracetamol durante a gravidez no neurodesenvolvimento das crianças.
O paracetamol é o fármaco mais usado globalmente como antipirético e analgésico durante a gravidez.
Os autores incluíram 43 estudos na revisão sistemática e 17 na metanálise.
Considerando estudos comparativos entre irmãos (com o objetivo de diminuir o risco de viés por influências sociais, genéticas ou ambientais), a exposição a paracetamol durante a gravidez não se associou a risco de perturbações do espectro do autismo (OR 0·98, 95% CI 0·93–1·03; p=0·45), a perturbação de déficit de atenção e hiperatividade (PDAH) (OR 0·95, 0·86–1·05; p=0·31) nem a défice intelectual (OR 0·93, 0·69–1·24; p=0·63).
A ausência de associação mantém-se quando se analisaram apenas estudos com baixo risco de viés e estudos com mais de 5 anos de follow up.
Assim, o uso de paracetamol durante a gravidez não parece aumentar a probabilidade de perturbação do espectro do autismo, de PDAH nem de défice intelectual.
As principais sociedades científicas (ACOG, RCOG, FIGO e SMFM) continuam a recomendar o paracetamol como o analgésico e antipirético de primeira linha na gravidez.