SUGESTÕES DA SEMANA

06/02/2026 — Sugestão da Semana por Jorge Lima | Aspirin Discontinuation at 24–28 Weeks and Placental Biomarker Trajectories: Post Hoc Analysis of a Randomised Trial

Por Jorge Lima | Coordenador do Centro de Alto Risco Obstétrico do Hospital da Luz Lisboa, Professor Auxiliar Convidado da NOVA Medical School e da Católica Medical School, e Investigador do Comprehensive Health Research Centre (CHRC) – NOVA Medical School

Este artigo foi selecionado pela sua relevância prática na prevenção da pré-eclâmpsia, abordando uma questão clínica frequente e controversa: até quando deve ser mantida a aspirina em grávidas de alto risco. Trata-se de uma análise secundária longitudinal do ensaio randomizado StopPRE, que avaliou se a suspensão da aspirina entre as 24 e 28 semanas altera a trajetória de biomarcadores placentários associados à disfunção placentária.

O aspeto mais inovador do estudo é a análise detalhada das trajetórias de PlGF, sFlt-1 e do rácio sFlt-1/PlGF após a descontinuação da aspirina, utilizando modelos mistos de efeitos lineares e medições repetidas ao longo da gestação. Os resultados demonstram, de forma consistente, ausência de diferenças significativas nas trajetórias destes biomarcadores entre mulheres que interromperam a aspirina e aquelas que a mantiveram até às 36 semanas. Estes achados ajudam a explicar por que razão, no ensaio StopPRE original, a suspensão da aspirina não se associou a aumento do risco de pré-eclâmpsia pré-termo.

Entre os pontos fortes destacam-se o grande número de medições longitudinais, o contexto de um ensaio randomizado bem desenhado, a homogeneidade dos grupos e a utilização de biomarcadores com relevância clínica comprovada. As limitações incluem o reduzido número de casos de pré-eclâmpsia pré-termo, a população predominantemente caucasiana e a aplicabilidade restrita a grávidas de alto risco com rácio sFlt-1/PlGF normal no segundo trimestre.

As implicações clínicas são relevantes: o estudo apoia uma abordagem personalizada da prevenção da pré-eclâmpsia, sugerindo que a reavaliação do risco às 24–28 semanas com biomarcadores angiogénicos pode identificar mulheres em quem a suspensão segura da aspirina é possível, reduzindo exposição desnecessária sem comprometer a segurança materna ou fetal.