Por Rodrigo Pereira Mata | Assistente Hospitalar em Ginecologia e Obstetrícia na ULS Algarve – Portimão
Estima-se que o adequado diagnóstico pré-natal de vasa previa (VP) optimize, neste contexto, a taxa de sobrevivência perinatal para 97-98% (vs. 56% taxa de mortalidade perinatal quando não diagnosticado). No entanto, persiste alguma controvérsia face ao desenho e aplicabilidade do seu rastreio de rotina.
O objectivo desta revisão sistemática e meta-análise foi avaliar a detecção pré natal de VP e a sobrevivência perinatal, em estudos de coorte, que implementaram protocolos padronizados de rastreio ecográfico no 2º trimestre com subsequente confirmação dos casos suspeitos no 3º trimestre. Os protocolos incluíam: avaliação da inserção do cordão, imagem da região cervical e color doppler transvaginal em casos seleccionados.
Foram incluídas 19 publicações, englobando mais de 770 000 gestações, com diagnóstico de 97,8% dos casos de VP em pré-natal, a que correspondem uma sensibilidade e uma especificidade agrupadas do rastreio universal de 1,00 (95% CI, 0,99-1,00), com 11 falsos positivos; a taxa de sobrevivência perinatal agrupada nos casos diagnosticados foi de 98,15% (95% CI, 88,3-100%).
Estes resultados confirmam uma elevada taxa de detecção pré natal com mínimos falsos positivos e óptimos outcomes perinatais, com a implementação destes protocolos.
Apesar das limitações do estudo, associadas sobretudo à heterogeneidade dos protocolos de rastreio, às definições de VP, critérios diagnóstico e idade gestacional no diagnóstico, esta é a primeira revisão sistemática a avaliar o papel do rastreio de VP. Os resultados sustentam fortemente a implementação do rastreio de rotina desta entidade.