Por Joana Barros | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia – Hospital da Luz – Lisboa
A inteligência artificial está cada vez mais presente em todas as áreas, incluindo o diagnóstico pré-natal.
O diagnóstico pré-natal de malformações cardíacas congénitas permite a sua abordagem adequada, com impacto na morbilidade e mortalidade perinatal. Atualmente, o método de diagnóstico gold standard é a ecocardiografia fetal, com precisão diagnóstica para defeitos cardíacos major entre 85-90%, quando realizada por especialistas. Contudo, existe uma variabilidade considerável na detecção de malformações cardíacas congénitas (atingindo os 30% em alguns estudos), considerando não só a variabilidade no acesso à ecocardiografia fetal, mas também dependendo do tipo de defeito cardíaco, do biótipo e patologia materna.
Este estudo teve como objetivo validar um software de inteligência artificial na deteção de 8 tipos de defeitos cardíacos congénitos no 2º trimestre de gestação, comparando com a avaliação independente realizada por especialistas em cardiologia pediátrica.
Com efeito, os resultados deste estudo mostram que este software de inteligência artificial apresenta uma elevada sensibilidade e especificidade na deteção de malformações cardíacas, com um número muito reduzido de casos inconclusivos.
Assim, a incorporação de ferramentas de inteligência artificial no diagnóstico de malformações cardíacas congénitas pode aumentar a taxa de deteção, fomentando o acesso a melhores técnicas de diagnóstico pré-natal de forma mais equitativa.