SUGESTÕES DA SEMANA

17/04/2026 — Sugestão da Semana por António Costa Braga | Hydroxychloroquine in systemic lupus erythematosus, anti-SSA/SSB, and antiphospholipid antibody-positive pregnancies

Por António Costa Braga | Assistente Hospitalar Graduado Ginecologia e Obstetrícia ULSTS // Professor Auxiliar Convidado FMUP

A hidroxicloroquina (HCQ) tem demonstrado um papel fundamental na melhoria dos desfechos perinatais e na redução de complicações em grávidas com patologia imunológica.

O artigo selecionado faz uma revisão atual sobre os benefícios do uso de HCQ em medicina materno-fetal. A evidência mais recente confirma que o uso de HCQ em doses padrão (≤400 mg/dia) é seguro e não aumenta de forma significativa o risco de malformações congénitas.

Em patologias específicas, como o lúpus eritematoso sistémico, a HCQ controla eficazmente a atividade da doença materna e diminui a taxa de complicações obstétricas, estando atualmente recomendada a sua utilização. No entanto, o efeito protetor sobre o risco de desenvolvimento de patologia hipertensiva ainda permanece controverso, pelo que carece de estudos prospetivos para confirmação da evidência existente.

Em grávidas positivas para anticorpos anti-SSA/SSB, a HCQ demonstrou ser eficaz na prevenção do desenvolvimento das formas mais graves de lúpus neonatal, nomeadamente do bloqueio cardíaco congénito, estando recomendada a sua utilização nestas doentes, mesmo em contexto de prevenção primária.

Na presença de anticorpos anti-fosfolipídicos, o uso de HCQ está associado a melhores desfechos, sobretudo na presença de morbilidade obstétrica prévia, e como terapêutica aditiva ao uso de heparinas de baixo peso molecular.

O ponto forte deste artigo é a sua análise abrangente, que integra dados e meta-análises recentes. No entanto, a maioria da evidência ainda se baseia em estudos observacionais e retrospetivos. Adicionalmente, muitos destes estudos apresentam amostras pequenas com falta de poder estatístico, o que fragiliza os resultados encontrados.

Assim, a HCQ tem demonstrado ser uma terapêutica segura, compatível com a gravidez e a amamentação. Dada a sua capacidade de melhorar os desfechos obstétricos em grávidas com patologia autoimune, a decisão de iniciar ou manter a medicação deve idealmente ocorrer no período pré-concecional, sustentada por uma abordagem multidisciplinar para otimizar a saúde materno-fetal.