Por Andreia Fonseca | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia – Serviço de Obstetrícia, ULS Almada-Seixal
A macrossomia fetal ou os fetos grandes para a idade gestacional (GIG) ocorrem em 5-10% das gestações e associam-se a um risco acrescido de complicações maternas e perinatais. A abordagem destas gestações, nomeadamente o timing do parto, permanece um dilema.
Esta meta-análise avaliou o impacto da indução do trabalho de parto (ITP) na suspeita de feto GIG ou macrossómico na via de parto (desfecho primário) e na morbilidade materna e perinatal (desfechos secundários), comparada com a atitude expectante.
Foram analisados 5 estudos de países desenvolvidos, incluindo um total de 4083 mulheres, das quais 95% não tinham diabetes. As restantes tinham diabetes gestacional controlada com dieta. Um dos estudos, no qual a ITP ocorria às 38s–38s+4d, contribuiu para 71% da amostra, tendo um peso dominante na análise.
A ITP associou-se a uma redução significativa da taxa de cesarianas (RR 0,87; IC95% 0,79-0,96), com um number needed to treat de 25. A idade gestacional no parto foi cerca de uma semana inferior neste grupo, sendo também menor a incidência de macrossomia (≥4000g RR 0,53; IC95% 0,48-0,59; ≥4500g RR 0,22; IC95% 0,12-0,39). A fototerapia foi mais frequente após ITP (RR 1,62; IC95% 1,17-2,25). Não houve diferenças estatisticamente significativas nos restantes desfechos.
Como limitações, destacam-se a heterogeneidade entre os estudos incluídos e a variabilidade nos critérios de definição de feto GIG ou macrossómico, o que pode influenciar a generalização dos resultados.
A ITP às 38 semanas, nas gestações com suspeita de feto GIG ou macrossómico, associa-se a uma redução da taxa de cesarianas, possivelmente relacionada com limitação do crescimento fetal. Esta estratégia poderá ser considerada na prática clínica, devendo a decisão ser individualizada e enquadrada no contexto clínico e nas preferências maternas.