Por Sofia Franco | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia e Ginecologia, com vínculo profissional a ULS de Coimbra, Serviço de Obstetrícia MDM e MBB
Desde a década de 90, o POCUS (Point-of-Care Ultrasound) tem sido utilizado por médicos, não radiologistas, com ecógrafos portáteis à cabeceira do utente, como técnica adicional ao exame clínico. Dall’ Asta e Ghi, salientam neste artigo as suas possíveis utilidades.
A ecografia beneficia uma avaliação mais objetiva, no primeiro e segundo estádios do trabalho de parto, do plano da apresentação fetal e da variedade de posição, comparativamente com o exame clínico digital. Os RCTs publicados evidenciam que ela é mais fiável e reprodutível na determinação do estádio da apresentação cefálica e sua variedade de posição, quando utilizada previamente à instrumentação, e melhorando a sua taxa de exequibilidade. Alguns estudos suportam uma melhor aceitabilidade pelas parturientes, mas ainda sem demonstrar uma redução na taxa de instrumentação falhada, com o uso desta metodologia. A predição do êxito depende da própria dinâmica do trabalho de parto e variáveis envolvidas.
Estudos observacionais sugerem que o PoCUS intraparto será superior ao exame clínico na predição do tipo de parto, face a uma distócia do primeiro ou segundo estádio. Sugere-se um algoritmo baseado na fisiopatologia com o objetivo de classificar ecograficamente a causa de distócia no primeiro estádio. Para avaliar a atitude fetal – grau de flexão do pólo cefálico é calculado o ângulo occipito-espinhal (OSA) por via transabdominal, nas variedades anteriores e transversas. Nas posteriores é utilizado o ângulo mento-torácico (CCA). Quando o pólo cefálico está fletido, nas variedades anteriores ou transversas, estima-se posteriormente a distância cabeça-períneo (HPD) e o ângulo de progressão (AoP), por via transperineal, para determinar o plano da apresentação na relação com as espinhas isquiáticas; concluindo por provável distócia por atividade uterina contrátil insuficiente ou por incompatibilidade cefalopélvica.
Os autores sugerem ainda, que além da utilidade atual da ecografia intraparto, está possa, no futuro, ser utilizada como adjuvante na extração do segundo gémeo não cefálico, na monitorização do bem-estar fetal ou na avaliação de complicações materno-fetais intraparto.