Por Dânia Ferreira | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia – Unidade Local de Saúde de Braga
O trabalho de parto é caracterizado por contrações uterinas regulares e modificações cervicais. No entanto, o diagnóstico preciso de um verdadeiro início de trabalho de parto pode ser desafiante.
Neste estudo, os autores avaliaram o comprimento cervical, a fibronectina fetal cervicovaginal e fatores angiogénicos maternos (PlGF, sFlt-1 e rácio sFlt-1/PlGF) na predição do início espontâneo do trabalho de parto nas 24 horas seguintes em 132 grávidas sintomáticas, com gestação unifetal de termo.
O comprimento cervical <14mm revelou uma sensibilidade de 63,9% e especificidade de 79,6%, com um valor preditivo positivo de 84,1% e um valor preditivo negativo de 56,5% na identificação do verdadeiro início de trabalho de parto. A concentração de fibronectina fetal cervicovaginal>211ng/mL revelou uma sensibilidade de 84,5% e especificidade de 59,4%, com um valor preditivo positivo de 79% e um valor preditivo negativo de 67,9% na identificação do verdadeiro início de trabalho de parto. A combinação de ambos – comprimento cervical e fibronectina fetal – superou cada marcador isoladamente, com uma sensibilidade de 62,1% e especificidade de 90,6%, um valor preditivo positivo de 92,3% e um valor preditivo negativo de 56,9%, revelando assim uma performance preditiva superior na identificação do verdadeiro início espontâneo do trabalho de parto. A concentração sérica dos fatores angiogénicos não diferiu significativamente, não ajudando na diferenciação entre o verdadeiro e o falso trabalho de parto.
Como conclusões, a combinação do comprimento cervical e fibronectina fetal cervicovaginal parece ser um bom teste para confirmar (rule in) o diagnóstico de um verdadeiro início de trabalho de parto no termo, apoiando a decisão de internamento nos casos duvidosos. No entanto, a sensibilidade moderada (62,1%) e sobretudo o baixo valor preditivo negativo (56,9%) impedem a sua utilização como ferramenta isolada, pois um resultado negativo não permite dar alta com segurança, impondo-se a necessidade de investigação por novos biomarcadores.