SUGESTÕES DA SEMANA

31/01/2025 — Sugestão da Semana por Susana Santo | Effectiveness of the Intrauterine Balloon Tamponade Compared With an Intrauterine, Vacuum-Induced, Hemorrhage-Control Device for Postpartum Hemorrhage

Por Susana Santo | Assistente Graduada de Obstetrícia e Ginecologia da ULSSM // Professora Associada da FMUL

A hemorragia pós-parto é uma das principais causas de morbimortalidade materna. Este estudo avalia a eficácia do tamponamento por balão intrauterino (TBI) comparativamente ao dispositivo de controlo da hemorragia por vácuo (DHV). A investigação envolveu 65 hospitais, entre 2022 – 2024 e 666 casos de hemorragia pós-parto, dos quais 300 utilizaram o TBI e 366 o DHV. Os desfechos primários incluíram: perda sanguínea após a colocação do dispositivo, a necessidade de transfusão de concentrado eritrocitário e a taxa de falha do dispositivo.

Os resultados demonstraram que a perda sanguínea após a colocação dos dispositivos foi similar nos grupos, com uma mediana de 194 mL no TBI e 240 mL no DHV (p = 0,40). A necessidade de transfusão sanguínea ocorreu em 59,7% dos casos no grupo do balão intrauterino e em 50,0% no grupo do dispositivo a vácuo (p = 0,08), enquanto a transfusão de três ou mais unidades de hemácias foi necessária em 27,0% e 24,9% dos casos, respectivamente (p = 0,53). A taxa de falha, definida como a necessidade de remoção do dispositivo e substituição por outro método (técnicas de radiologia de intervenção, histerectomia) foi de 7,7% para o TBI e 8,5% para o DHV (p = 0,70).

Um achado relevante do estudo foi a influência do momento da colocação do dispositivo nos desfechos clínicos. Quando o dispositivo foi inserido antes que a perda sanguínea atingisse 1.500 mL, as taxas de falha foram significativamente menores (3,4% vs. 12,9%, p < 0,001). Os autores concluíram que tanto o balão intrauterino como o dispositivo de vácuo são eficazes no controle da hemorragia pós-parto, e que a escolha entre eles deve considerar fatores como custo, disponibilidade e experiência clínica. O estudo reforça ainda a importância da utilização precoce desses dispositivos na redução da taxa de falhas e da necessidade de transfusão sanguínea.