Por Ana Catarina Massa | Assistente Hospitalar de Ginecologia / Obstetrícia – Hospital Lusíadas Lisboa
A diabetes gestacional (DG) pode surgir em 14% de todas as gestações com morbilidade materna, fetal e neonatal associada.
Grande parte das sociedades científicas internacionais, como a ADA, a ACOG e a FIGO, recomenda a utilização de metformina para tratamento da DG como 2ª linha, preferindo a insulina. Em 2020, a NICE foi a primeira sociedade a recomendar a metformina como 1ª opção. Nos últimos anos, tem-se assistido a uma exponencial utilização da metformina para o tratamento da DG.
Está demonstrada a segurança materna da metformina durante a gravidez. A maior preocupação associa-se à sua capacidade de atravessar a placenta, atingindo rapidamente níveis elevados na circulação fetal, cujos efeitos no desenvolvimento neonatal anos mais tarde ainda permanecem por esclarecer.
Esta revisão sistemática compreendeu 35 estudos publicados nos últimos 20 anos que avaliaram a eficácia da metformina no tratamento da DG quando comparada com a insulina, outros fármacos ou terapêutica não farmacológica, considerando diversos desfechos maternos e neonatais a curto prazo.
A metformina demonstrou ser altamente eficaz no controlo glicémico adequado bem como se associou a um menor aumento ponderal durante a gravidez. O seu papel na redução da hipertensão induzida pela gravidez ou na taxa de cesarianas não foi consensual. Relativamente aos resultados neonatais, a metformina mostrou um papel na redução de recém-nascidos grandes para a idade gestacional bem como no número de internamentos nos Cuidados Intensivos Neonatais, sem impacto na idade gestacional do parto.
A heterogeneidade dos estudos (diferentes critérios de inclusão, metodologias e desfechos clínicos), amostras relativamente pequenas (sobretudo os estudos mais antigos) e ausência de dados acerca da segurança a longo prazo são algumas das limitações.
Apesar disso, esta revisão sistemática veio reafirmar o papel da metformina no atingimento do controlo glicémico adequado na DG, como alternativa à insulina, e da sua segurança materna.