SUGESTÕES DA SEMANA

07/03/2025 — Sugestão da Semana por Bruna Abreu | OPtimal TIming of antenatal COrticosteroid administration in pregnancies complicated by early-onset fetal growth REstriction: results of a large multicenter cohort study (the OPTICORE study)

Por Bruna Abreu | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia, CHLN-ULS Santa Maria

O estudo OPTICORE teve como objetivo comparar duas estratégias de administração de corticosteroides em 1.453 gravidezes complicadas por restrição de crescimento fetal precoce, entre 2012 e 2021, em seis hospitais terciários dos Países Baixos.

Compararam-se duas estratégias: A – administração de corticosteroides quando o índice de pulsatilidade da artéria umbilical estava acima do percentil 95.; B – administração de corticosteroides quando fluxo diastólico ausente ou reverso na artéria umbilical.

A estratégia B associou-se a uma menor incidência de síndrome de desconforto respiratório (SDR) (34,5% vs. 39,6%; OR 0,63; IC 95% [0,45-0,88]) e de displasia broncopulmonar (DBP), mas a uma maior incidência de enterocolite necrotizante (7,6% vs. 3,7%; OR 2,18; IC 95% [1,29-3,69]).

Embora não estatisticamente significativa, a mortalidade perinatal foi superior na estratégia B (9,8%) quando comparada com a A (7,2%). No entanto, não foram identificadas diferenças significativas no intervalo de tempo entre a administração dos corticosteroides e o parto, no peso ao nascer ou na idade gestacional entre as estratégias, o que sugere a importância de outros fatores, para além da corticoterapia, nos cuidados pré e pós-natais.

Um dado relevante é que apenas 52,8% (Grupo A) e 53,8% (Grupo B) dos partos ocorreram dentro da janela terapêutica ideal (2-14 dias após a administração dos corticoides). Isto sugere a necessidade de desenvolver novas estratégias para garantir que os corticoides sejam administrados de forma otimizada.

O estudo apresenta algumas limitações devido ao seu desenho retrospetivo, o que dificulta a determinação de relações causais. Além disso, embora os autores tenham controlado os vieses através de análises ajustadas, não é possível excluir totalmente o risco de viés residual nos resultados.

Apesar disso, o estudo OPTICORE mantém a sua relevância na prática clínica, uma vez que aborda um dos principais desafios da obstetrícia na gestão dos fetos com restrição precoce.