Por Ana Isabel Machado | Assistente Hospitalar Graduada Centro Hospitalar da ULSS.José
A diabetes tipo 2 (D2) com início precoce (antes dos 40 anos) é um problema emergente. Afeta mulheres em idade reprodutiva, tendo a sua prevalência aumentado nos últimos 15 anos em pelo menos 2 vezes comparativamente à D2 de início tardio. Associa-se a um fenótipo mais agressivo, a deterioração do perfil glicémico mais rápido, bem como a um maior risco cardiovascular e de complicações relacionadas com a diabetes.
Este estudo prospetivo realizado no Reino Unido, entre 2009-2024, teve como objetivo realizar uma revisão sistemática e meta-análise para quantificar o impacto da D2 na gravidez, bem como compará-lo com o das grávidas com diabetes tipo 1, gestacional e sem diabetes.
Conclui-se que a D2 está associada a um aumento de risco de anomalias congénitas, fetos mortos, recém-nascidos com baixo peso e de incremento da mortalidade infantil. Na D2 existe maior risco de leves para a idade gestacional e de mortalidade perinatal do que na diabetes tipo 1; relativamente ao risco de desenvolvimento de anomalias congénitas ele também é superior ao da diabetes gestacional e ao do grupo sem diabetes.
Pontos fortes: 1) Maior meta-analise realizada nos últimos anos que sumariza e compara os outcomes das gravidezes complicadas por D2, diabetes tipo, diabetes gestacional e grávidas sem diabetes. 2) Revisão e meta-analise realizadas de acordo com as guidelines do PRISMA e das melhores evidências disponíveis.
Limitações: São necessários mais estudos os para perceber o peso que outros fatores associados à D2, nomeadamente Índice de Massa Corporal, hipertensão, tabagismo têm no impacto destas gravidezes.
Implicações futuras: Dado o aumento de prevalência da D2 na idade reprodutiva, é urgente uma maior sensibilização dos profissionais de saúde e dos decisores políticos para os efeitos adversos desta entidade na gravidez, de forma a serem melhorados os cuidados antes e durante a gestação nestas grávidas.