Por Bárbara Carvalho Ribeiro | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital de Braga
As desordens do espectro da placenta acreta têm aumentado, principalmente devido à idade materna avançada e cesarianas prévias, tornando necessária a revisão da literatura sobre a melhor abordagem. A gestão conservadora do espectro do acretismo placentário tem ganho relevância pelos seus benefícios em comparação com a histerectomia durante a cesariana, considerada a terapêutica standard..
A meta-análise incluiu 16 estudos com 2300 mulheres, comparando a histerectomia com a gestão conservadora (placenta in situ e/ou resseção local). A histerectomia apresentou maior perda sanguínea: 973,5 mL, em comparação com 739,7 mL na resseção local (P < 0,001). Pacientes submetidas à histerectomia tiveram maior necessidade de transfusões e maior risco de lesões geniturinárias (OR 3,79 para placenta in situ e OR 4,11 para resseção local). A admissão em UCI foi significativamente maior na histerectomia (OR 7,98) comparada com o grupo da placenta in situ. Não houve diferenças significativas em lesões gastrointestinais e eventos tromboembólicos entre os grupos. Como pontos fortes, destaca-se ser uma revisão sistemática e meta-análise com elevado número de participantes e metodologia robusta. Foi realizada ainda uma sub-análise que diferencia entre placenta in situ e resseção local, corroborando a robustez dos resultados. Como limitações, a maioria dos estudos foram retrospetivos, houve falta de padronização nos critérios de tratamento entre centros e escassez de estudos randomizados controlados sobre desfechos a longo prazo. Concluindo, a gestão conservadora do espectro de acretismo placentário reduz significativamente a morbilidade cirúrgica e a necessidade de transfusão, preservando a fertilidade. Apesar dos benefícios, são necessários estudos randomizados para validar os resultados e determinar a segurança a longo prazo.