Por Ana Luisa Areia | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia e Ginecologia do Serviço de Obstetrícia – Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra // Universidade de Coimbra • Faculdade de Medicina
O artigo apresenta as recomendações da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) sobre os cuidados pré-concecionais para prevenir o parto prematuro, um dos maiores responsáveis pela mortalidade neonatal e morbidade prolongada no mundo. Ressalta que mais da metade das gestações globais é não planeada, dificultando intervenções precoces. O texto defende a transição do cuidado centrado na gravidez para um cuidado voltado para a mulher e para a criança, com avaliação precoce de fatores de risco modificáveis, incluindo idade materna, condições obstétricas e médicas, nutrição, saúde mental, uso de substâncias, infeções, fatores psicossociais e ambientais. Recomenda intervenções abrangentes baseadas em evidências científicas, como suplementação com ácido fólico, imunização adequada, controle de doenças crónicas, cessação de tabaco e álcool, aconselhamento nutricional e psicológico, rastreio e tratamento de infeções, incluindo a saúde oral. O artigo salienta ainda a necessidade de políticas públicas que promovam o acesso igualitário aos cuidados pré-concecionais, visando equilibrar desigualdades, promover a saúde materna e perinatal e reduzir os prematuros, melhorando os desfechos maternos e perinatais.