SUGESTÕES DA SEMANA

03/10/2025 — Sugestão da Semana por Ana Dagge | Long-term outcomes after neonatal acidemia

Por Ana Dagge | Médica Interna de Formação Especializada em Ginecologia/Obstetrícia na ULS Santa Maria – Hospital de Santa Maria

Este é um estudo de coorte retrospetivo que incluiu 35.931 nascimentos na Suécia entre 1997-2012, nos quis foi sistematicamente registado o pH do cordão umbilical imediatamente após o nascimento. O objetivo foi avaliar a associação entre o pH arterial do cordão umbilical e os desfechos a longo-prazo até 20 anos de follow-up.

A acidémia (pH <7,05 que estava presente em 2,5% da amostra) associou-se a maior mortalidade e a um risco significativamente aumentado de paralisia cerebral (HR 4,35; IC95% 2,17–8,73) e epilepsia (HR 1,71; IC95% 1,02–2,88). Valores de pH abaixo de 6,95 mostraram também associação com o desenvolvimento de perturbações do desenvolvimento intelectual (HR 4,19; IC95% 1,73-10,17). Não se observaram associações entre pH 7,05–7,20 e outros distúrbios do neurodesenvolvimento. Entre os pontos fortes destacam-se o tamanho da amostra e o seguimento prolongado. Como limitações, salienta-se a ausência de informação detalhada sobre intervenções intraparto. Os autores concluem que o pH arterial do cordão < 7,05, e sobretudo < 6,95, constitui um limiar clinicamente relevante para risco neurológico a longo-prazo. Estes resultados reforçam a importância da prevenção da hipóxia intraparto, da determinação sistemática do pH do cordão umbilical e do seguimento dos recém-nascidos com acidémia significativa.