Por Vera Trocado | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia na ULS São João
A indução do trabalho de parto em gestações únicas com rotura prematura de membranas a termo (tPROM) e um índice de Bishop desfavorável continua a ser um tema de investigação e debate. O uso de métodos de indução do trabalho de parto por via vaginal pode condicionar aumento do risco de infeção materna e neonatal devido ao maior número de exames vaginais, pelo que a possibilidade de administração oral de misoprostol tem despertado particular interesse.
Este estudo comparou a administração oral de misoprostol (PGE1) (50 mcg de misoprostol a cada 4h, até um máximo de 4 administrações, eventualmente repetido após o primeiro ciclo), com a dinoprostona vaginal (PGE2).
O estudo demonstrou que a necessidade de perfusão de ocitocina foi significativamente menor no grupo PGE1 oral (22,9%) em comparação com o grupo PGE2 vaginal (43,8%) (RR 0,52; IC 95%: 0,33–0,82; p = 0,004). O intervalo entre indução e parto foi também significativamente mais curto no grupo PGE1 oral (diferença média −217 minutos; IC 95%: −241,9 a −192,3; p < 0,001), assim como a necessidade de analgesia (40,0% vs 57,5%; RR 0,70; IC 95%: 0,52–0,94; p = 0,012), mantendo desfechos maternos e neonatais equivalentes entre os grupos. Entre os pontos fortes, destacam-se o tamanho amostral razoável e a comparação direta entre dois métodos amplamente utilizados. Como limitações, salientam-se o desenho retrospetivo e a diferença de paridade entre os grupos. Ainda assim, foi efetuada uma subanálise em nulíparas que confirmou os resultados principais. Os resultados permitem demonstrar que o misoprostol oral é um método seguro e eficaz na indução em tPROM com Bishop desfavorável, oferecendo vantagens logísticas (menor necessidade de exames vaginais) e clínicas (redução do tempo de trabalho de parto e menor uso de ocitocina). Este método pode representar uma alternativa às prostaglandinas vaginais, com aplicabilidade imediata na prática obstétrica.