SUGESTÕES DA SEMANA

12/12/2025 — Sugestão da Semana por Cristina Nogueira Silva | Single versus longitudinal scans in the third trimester: A multicenter randomized clinical trial on screening for late-onset intrauterine fetal growth restriction (The RELAIS Study).

Por Cristina Nogueira Silva | Assistente Hospitalar Graduada de Ginecologia e Obstetrícia da ULS de Braga // Ginecologista e Obstetra no Hospital Privado Braga – Grupo Trofa Saúde // Professora Associada e Vice-presidente para o ensino da Escola de Medicina da Universidade do Minho // Investigadora do ICVS

O estudo RELAIS teve como principal objetivo responder à questão, ainda controversa, se a realização de uma ecografia adicional de rotina às 35–37 semanas de gestação, em gravidezes de baixo risco, melhora o diagnóstico de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional.

Trata-se de um ensaio clínico randomizado, multicêntrico, envolvendo 790 mulheres nulíparas, com gravidez unifetal de baixo risco, que foram aleatorizadas para vigilância de rotina (ecografia às 28–32 semanas) ou vigilância longitudinal com ecografia adicional às 35-37 semanas.

Este estudo demonstrou que a realização de uma ecografia adicional entre as 35-37 semanas aumenta de forma significativa o diagnóstico de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional (< P10) em comparação com a vigilância de rotina e associa-se a uma redução de três vezes na taxa de admissões em cuidados intensivos neonatais (3,8% versus 1%), sem aumento das taxas de indução do trabalho de parto, cesariana, ou de morbilidade neonatal. A taxa de falsos positivos foi de 1,7% no grupo submetido a ecografia adicional (versus 2% no grupo controlo). Salientam-se como pontos fortes deste trabalho, o desenho experimental (ensaio randomizado), a natureza multicêntrica, a dimensão amostral, e o contexto de prática clínica real, com utilização de um protocolo ecográfico padronizado, que reforçam a validade dos resultados. Como limitação importa referir que o estudo não definiu o protocolo de seguimento após o diagnóstico de pequeno para a idade gestacional, o que pode introduzir viés nos desfechos. Portanto, os resultados deste estudo demonstram benefício clínico e apoiam a implementação de um rastreio ecográfico universal de patologia do crescimento fetal, às 35–37 semanas, em gravidezes de baixo risco.