Por Sara Tavares | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia / Hospital da Luz – Clínica da Amadora
Recentemente foi recomendada pelo Centers for Disease Control and Prevention’s (CDC) a vacinação durante a gravidez contra a infeção pelo vírus sincicial respiratório.
Este artigo suscita interesse ao fazer uma avaliação crítica da evidência científica existente sobre este tipo de vacinação.
Os autores realçam a importância de uma prevenção adequada face a esta infeção que é uma causa muito significativa de morbilidade e mortalidade particularmente nos primeiros meses de vida, mas também levantam questões muito pertinentes sobre a evidência atual.
A reflexão incide sobre diferentes aspetos tanto de natureza puramente clínica quanto de aplicação prática.
Os anticorpos maternos transmitidos por via transplacentar têm uma semi-vida de 28 a 40 dias após o parto o que é relativamente curto, não havendo também evidência sobre uma eventual influência na semi-vida dos anticorpos produzidos após vacinação contra a tosse convulsa.
Outra questão levantada pelos autores prende-se com a possível relação com parto pré-termo pois nenhum dos estudos apresentados teve poder amostral suficiente. Este facto, aliado ao facto de que as grávidas estudadas terem sido selecionadas de forma a incluir apenas grávidas de baixo risco, torna a vigilância após a introdução da vacina no mercado absolutamente fundamental. Não existem dados sobre o efeito da vacinação em gravidez de risco nomeadamente para parto pré-termo.
Também os efeitos a longo prazo dizem respeito a um período temporal de apenas 1 a 2 anos pelo que os dados sobre estes efeitos são limitados.
Os autores relembram ainda a renitência que existe face à vacinação na gravidez e o potencial efeito da introdução de uma vacina adicional num contexto em que a aceitabilidade das grávidas face às vacinas já existentes nem sempre é a esperada.
O artigo visa alertar para a importância de colmatar as lacunas existentes sem minimizar a relevância da prevenção desta doença.