Por Vera Trocado | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia da Unidade Local de Saúde do Alto Minho – Viana do Castelo
O parto pré-termo (PPT) é a principal causa de morbilidade e mortalidade neonatal em todo o mundo. Em Portugal, no ano de 2019, 7,3% dos partos foram pré-termo.
No entanto, em mulheres com gestação unifetal e sem fatores de risco, é controversa a recomendação do rastreio universal do colo curto através da avaliação ecográfica do comprimento cervical, seguida de tratamento com progesterona vaginal nos casos de colo curto. Apesar de alguns autores fazerem já essa recomendação, ainda não é um procedimento adotado universalmente.
Em Israel foi implementada a avaliação universal do comprimento cervical em 2010 na ecografia do segundo trimestre. ste estudo comparou duas estratégias: a do rastreio universal do comprimento cervical e a não realização do rastreio. Foi avaliada a custo-efetividade desta estratégia nos primeiros dez anos após a sua implementação comparativamente à década precedente.
Com base nos modelos de decisão criados, a simulação de Monte Carlo relativa à avaliação do comprimento cervical de 170.000 gestações unifetais, demonstra que 95,17% dos bebés nascem a termo com a primeira estratégia vs 94,46% no grupo de não intervenção. Considerando 170.000 nascimentos, a poupança nacional anual associada ao rastreio do colo curto é de cerca de 8,31 milhões de dólares anuais, 48,84 dólares por caso. O custo médio estimado associado a cada caso no grupo do rastreio universal é de 998 dólares, sendo de 1047 dólares no grupo em que não é realizado o rastreio universal.
Este artigo vem reforçar a evidência científica disponível até ao momento que corrobora a implementação de estratégias para avaliação rotineira do comprimento cervical na ecografia do segundo trimestre. Esta forma de rastreio deverá ser implementada de forma universal, condicionando uma diminuição na incidência de parto pré-termo em gestações unifetais, com diminuição significativa dos custos associados, mesmo considerando a administração de progesterona no grupo da intervenção.