Por Alexandra Miranda | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia, ULS Braga; Assistente Convidada da Escola de Medicina da Universidade do Minho
A orientação de grávidas com dilatação cervical prematura e exposição das membranas fetais é ainda controversa. A presente revisão sistemática teve como objetivo resumir a evidência existente relativa às opções de tratamento e desfechos da gravidez neste cenário clínico. O desfecho primário foi a perda gestacional.
Os estudos incluídos foram agrupados nas seguintes categorias para comparação e meta-análise: 1) Estudos comparando ciclorrafia de emergência (CE) e atitude expectante; 2)Estudos comparando CE e ciclorrafia indicada por achados ecográficos ou antecedentes obstétricos; 3)Estudos relatando resultados clínicos após CE sem grupo de comparação; 4)Estudos comparando tratamentos adjuvantes na população que recebeu CE e 5)Estudos comparando intervenções não cirúrgicas nesta população. 177 estudos, dos quais quatro ensaios randomizados controlados, foram incluídos. A probabilidade de rotura intraoperatória das membranas durante a realização de CE foi de 3.3% e a probabilidade de uma CE falhada foi de 2.6%. As grávidas submetidas a CE apresentaram uma probabilidade significativamente menor de terem uma perda gestacional (RR 0.48, IC95% 0.39–0.59) comparativamente à atitude expectante. Não se constataram diferenças entre os riscos de rotura prematura de membranas, infeção intra-amniótica e sépsis neonatal na CE ou na atitude expectante. A redução das membranas durante a realização da CE não diminuiu a probabilidade de perda gestacional (RR1.12, IC95% 0.73–1.72) ou quaisquer outros desfechos em comparação com CE isolada. As grávidas apresentaram uma probabilidade significativamente maior de apresentarem perda gestacional (RR3.85, IC95% 3.13–4.74), parto prematuro antes das 28 semanas (RR5.18, IC95% 3.09–8.69) e morte neonatal (RR3.97, IC95% 1.87–8.42) após CE, comparativamente à ciclorrafia programada.
Como limitação desta revisão destaca-se um elevado grau de heterogeneidade entre estudos e um número relativamente pequeno de estudos elegíveis para análise, com diferenças importantes entre os desenhos de estudo e alto risco de viés nos estudos incluídos. Mais ensaios randomizados são essenciais para compreender o papel da CE e tratamentos adjuvantes neste contexto obstétrico.