Por Andrea Lebre | Assistente Hospitalar Graduada de Ginecologia & Obstetrícia / Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN) – ULS de Santo António
A macrossomia está associada a diversos desfechos adversos maternos e neonatais. A indução mais precoce do trabalho de parto parece ser eficaz na redução dos casos de distócia de ombros mas também se associa a maiores taxas de parto por cesariana e a complicações neonatais. O objetivo deste estudo foi avaliar se a idade gestacional da indução de trabalho de parto (ITP) em fetos grandes para a idade gestacional (GIG) estava relacionada com os desfechos maternos e neonatais.
Inicialmente foi realizado um estudo de coorte retrospetivo com gravidezes unifetais de fetos com estimativa de peso acima do percentil 90; constatou-se um aumento da taxa de cesarianas no grupo da ITP, sendo essa diferença significativa depois das 40+0 semanas de gestação. Os fatores de risco que aumentavam a taxa de partos por cesariana eram a nuliparidade, antecedentes de cesariana e um índice de Bishop baixo no dia da ITP.
Na 2ª parte do estudo foi realizada a combinação destes resultados numa revisão sistemática e meta-análise de estudos que comparavam a ITP e a atitude expectante em grávidas com fetos GIG. Constatou-se que quando a ITP era realizada antes das 40+0 semanas a ocorrência de distócia de ombros reduzia significativamente em 36%, com uma taxa de cesarianas comparável nos 2 grupos!
A inclusão de quase todos os estudos de ótima qualidade realizados para demonstrar os efeitos da ITP em fetos GIG é o principal ponto forte desta meta-análise, sendo a heterogeneidade dos estudos incluídos o principal ponto fraco.