Por Filipe Cordeiro | Assistente Hospitalar de Ginecologia Obstetrícia – CUF Descobertas
A metformina tem sido uma terapêutica importante no tratamento da diabetes gestacional e pré-existente. Este antidiabético oral mostra-se vantajoso pela sua eficácia na redução da glicémia, controlo de peso materno, facilidade de administração e custo relativamente baixo. No entanto, historicamente, pelo facto de atravessar a placenta, foi prescrito com maior reserva relativamente à insulina, pela preocupação com potenciais efeitos adversos fetais. Uma destas relacionava-se com os efeitos no desenvolvimento neurológico a longo prazo.
A meta-análise apresentada pretendeu avaliar o impacto da utilização de metformina na gravidez relativamente a desfechos no neurodesenvolvimento dos descendentes.
Dos 7 estudos incluídos, obteve-se uma coorte com cerca de 14 000 crianças das quais 7641 tinham sido expostas a metformina “in útero”. No grupo em que foi utilizado este antidiabético oral não se identificou maior risco de atraso no neurodesenvolvimento até aos 14 anos de idade. Nos sistemas de pontuação segundo escalas de avaliação motora e cognitiva não se encontraram diferenças relativamente àqueles que não fizeram esta terapêutica.
O ponto forte desta revisão, relaciona-se com inclusão de estudos de alta qualidade, com uma monitorização rigorosa do neurodesenvolvimento durante um período prolongado e ainda por esta ter baixo risco de viés.
Este estudo reforça ainda mais a confiança na utilização de metformina, ao mostrar que não parecem existir efeitos no neurodesenvolvimento e consolidam-na como uma opção segura na gravidez perante os médicos e às próprias grávidas.