SUGESTÕES DA SEMANA

27/12/2024 — Sugestão da Semana por Alexandra Matias | Variations in antenatal management and outcomes in haemolytic disease of the fetus and newborn: an international, retrospective, observational cohort study

Por Alexandra Matias | Professora Catedrática convidada com Agregação, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

A doença hemolítica do feto e do recém-nascido (DHFRN) é atualmente uma doença rara relacionada em que aloanticorpos IgG maternos destroem os glóbulos rubros fetais e neonatais, causando potencialmente complicações graves, como anemia fetal, hidrópsia fetal e morte. De modo a ultrapassar a enorme variação na orientação e tratamento desta patologia, foi desenvolvido um estudo de coorte observacional, retrospectivo e internacional, recolhendo os casos com DH de 31 centros em 22 países. Os participantes elegíveis apresentavam gestação com DHFRN que levaram à morte fetal depois das 16 semanas, aquelas tratadas no período pré-natal com transfusão intrauterina ou imunoglobulina intravenosa, ou recém-nascidos sem tratamento pré-natal que foram tratados com fototerapia intensiva, exsanguineo-transfusão ou transfusão de glóbulos vermelhos.

Foram avaliadas 2.420 gestações com DHFRN ao longo de 15 anos. 1.764 (72,9%) gestações apresentavam anticorpos anti-D positivos. 3,9% gestações resultaram em morte fetal. Dos 2.325 recém-nascidos vivos, 58,1% receberam alguma forma de tratamento pré-natal e 41,9% foram tratados apenas no período pós-natal. A mediana da idade gestacional na referenciação foi de 20,4 semanas (IQR 14,9–28,0). Hidrópsia grave na primeira transfusão intrauterina ocorreu em 14,5% das gestações. Uma mediana de duas transfusões intrauterinas foi realizada por gravidez. As complicações nas transfusões intrauterinas foram menos frequentes na abordagem intra-hepática do que na inserção placentária e ansa livre. Recém-nascidos tratados com transfusão intrauterina nasceram com idade gestacional média de 35,6 semanas (IQR 34,0–36,7), enquanto os recém-nascidos sem tratamento pré-natal nasceram com uma idade gestacional média de 37,3 (IQR 36,3–38,1).

Foram encontradas variações consideráveis na orientação pré-natal e nos resultados da doença hemolítica do feto e recém-nascido entre os vários centros.

Através desta colaboração internacional, estabeleceu-se uma base importante na medicina materno-fetal e imunohematologia para entender melhor as diferenças na orientação clínica e estabelecer um registo prospectivo internacional uniforme.