Por Sofia Franco | Assistente Hospitalar Graduado de Ginecologia-Obstetrícia / Serviço de Obstetrícia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Este artigo de opinião tem por objetivo alertar para a necessidade de implementar um programa de rastreio de vasa prévia (VP) no Reino Unido, contrariamente à Guideline atual do RCOG (Green-Top Guideline 27b, de 2018) que não é a favor do mesmo. Atualmente, as recomendações não são consensuais existindo abordagens diferentes consoante o país. Nos Estados Unidos, no Canadá e na Austrália/Nova Zelândia as recomendações são para o rastreio de VP nas situações de maior risco, como seja a placenta baixa/prévia.
Sabemos que num programa de rastreio a maioria dos utentes não terão doença, mas a mesma tem relevância suficiente, como morbimortalidade perinatal, para ser pesquisada. A prevalência de VP parece ser superior à de anomalias congénitas, com programas de rastreio pré-natal já implementados e de indiscutível importância.
Sabe-se que o rastreio pré-natal por ecografia tranvaginal associando estudo Doppler cor demonstrou taxas de deteção superiores a 90% e raros falsos positivos ou negativos, parecendo uma estratégia com pouco custo adicional, quando implementada em simultâneo com a ecografia de rotina do 2.º trimestre. O diagnóstico do local de inserção placentária do cordão umbilical na placenta, adicionando a avaliação Doppler da região supra cervical, permitiria um rastreio universal de VP. Esta metodologia combinada com posterior uso de sonda transvaginal com Doppler cor, nas situações de placenta baixa ou outras situações de alto risco – rastreio dirigido, é custo-efetivo no rastreio pré-natal de VP.
Como forma de evitar iatrogenia e sabendo que o diagnóstico de VP implica parto por cesariana, antes do trabalho de parto ou da rotura de membranas, está recomendada a reavaliação no 3.º trimestre por ecografia tranvaginal, associando estudo Doppler cor.
A possibilidade de planear um parto por cesariana, confirmado o diagnóstico pré-natal de VP, reduz os resultados perinatais adversos, a morte fetal ou neonatal. Este rastreio, adequadamente implementado, faz a diferencia entre a sobrevivência ou a morte.