Por Ana Catarina Massa | Assistente Hospitalar de Ginecologia / Obstetrícia, Hospital CUF Descobertas, Lisboa
A cabeça fetal impactada pode complicar até 16% das cesarianas no 2º estadio do trabalho de parto sendo mais frequente após uma tentativa de parto vaginal instrumentado. A cabeça fetal fica fixa ou impactada na pélvis deixando de existir espaço entre os ossos pélvicos, os músculos pélvicos e a cabeça fetal e representa uma emergência obstétrica. Associa-se morbilidade materna e neonatal: extensão da histerotomia, lesão vesical, hemorragia pós parto com necessidade de transfusão sanguínea, baixo Índice de Apgar e admissão nos Cuidados Intensivos Neonatais.
Diversas técnicas foram desenvolvidas para resolver esta condição como a elevação da cabeça fetal por via vaginal, extração pélvica reversa, método de proclive materno, técnica de Patwardhan, o uso de tocolíticos e dispositivos como fetal pillow ou tubo de Tydeman.
Nesta revisão sistemática foram incluídos 16 estudos, representando um total de 3344 mulheres. Treze desses estudos compararam a elevação da cabeça fetal por via vaginal com a extração pélvica reversa demonstrando maior morbildade materna e neonatal para a técnica de elevação da cabeça fetal por via vaginal. Os restantes 3 estudos mostraram resultados similares entre as técnicas de elevação da cabeça fetal por via vaginal e de Patwardhan.
Sendo uma condição difícil de definir, existe uma grande heterogeneidade dos critérios clínicos dos diversos estudos publicados e com amostras reduzidas. No entanto, os autores deste estudo utilizaram critérios rigorosos para a seleção dos estudos incluídos.
Embora ainda esteja por definir qual a melhor técnica para a resolução da cabeça fetal impactada no parto por cesariana e se o uso sequencial dos diversos métodos poderá trazer melhores resultados, esta revisão veio contribuir para o melhor conhecimento desta entidade.