SUGESTÕES DA SEMANA

23/06/2023 — Sugestão da Semana por Cristina Godinho | Single fetal demise in monochorionic twins: How to predict cerebral injury in the survivor co-twin?

Por Cristina Godinho | Assistente Hospitalar Graduada de Ginecologia e Obstetrícia – Centro Hospitalar V N Gaia

As gestações gemelares monocoriónicas (MC) associam-se a morbi-mortalidade intra-uterina e perinatal aumentada quando comparadas com as gestações bicoriónicas ou de feto único. A morte de 1 gémeo no 2º ou 3º trimestre associa-se a morbi-mortalidade do gémeo sobrevivente, sendo a lesão neurológica (decorrente da hipotensão/hipovolémia a que é submetido) o foco do aconselhamento e informação sobre o prognóstico neurológico. Este risco é elevado nas gestações MC e ronda os 20%.

Este estudo avaliou o desfecho perinatal após morte de 1 gémeo em gestações MC comparando os casos de morte espontânea vs. morte após técnica de terapia fetal. Verificou a maior incidência de lesão cerebral no grupo de morte espontânea (37,5%) comparado com o grupo de morte após terapia fetal (15,38%) Verificou ainda que fatores pré-natais como maior idade gestacional à data da morte e anemia do feto sobrevivente comportam maior risco de lesão cerebral.

Neste e noutros estudos a anemia fetal presente no gémeo sobrevivente é apontada como a causa principal de dano neurológico. Os autores propõem a adoção de um modelo que combine vários fatores para melhor estimar o risco de lesão neurológica. Na sua opinião a combinação dos fatores idade gestacional da ocorrência da morte, anemia do gémeo sobrevivente e existência ou não de terapia fetal será o modelo com melhor desempenho na estimativa de risco neurológico.

O estudo tem a limitação de incluir uma série pequena, particularmente dos casos de morte não relacionada com terapia fetal, mas alerta para a importância da avaliação do risco neurológico do gémeo sobrevivente e do impacto na gravidade amplificada em caso de prematuridade.