SUGESTÕES DA SEMANA

30/06/2023 — Sugestão da Semana por Naiegal Pereira | Prediction of adverse neonatal outcome at admission for early-onset preeclampsia with severe features

Por Naiegal Pereira | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia / Hospital Beatriz Ângelo, Loures

A pré-eclâmpsia (PE) continua a ser a principal causa de morbi-mortalidade materna a nível mundial. Consequentemente, ferramentas de prevenção e modelos de predição das complicações maternas, têm sido foco de investigação. Esta entidade clínica também se associa a complicações neonatais, com maior gravidade na sua apresentação precoce. Sendo o parto o tratamento da PE e o timming ideal nem sempre é consensual, torna-se imperativo perceber se os modelos existentes permitem predizer os outcomes neonatais.

O estudo apresentado teve como objectivo verificar o valor do score de risco materno (PREP-L), do estudo Doppler materno e fetal e do dosemento dos factores angiogénicos placentares, obtidos na admissão de grávidas com PE grave antes das 34 semanas, na predição das complicações neonatais.

Trata-se de um estudo cohort prospectivo que avaliou 63 grávidas de gestação unifetal, com PE precoce, com critérios de gravidade, sem indicação materna ou fetal para parto imediato, que foram submetidas na admissão a um protocolo bem definido que incluía avaliação clínica, física e laboratorial, estudo Doppler materno e fetal ajustado à idade gestacional e doseamento dos factores angiogénicos. A terapêutica anti-hipertensiva, profilaxia das convulsões e a maturação pulmonar fetal foram efectuadas de acordo com as recomendações. Destas gestações, 28,6% apresentaram complicações neonatais, verificando-se que o score de risco materno (PREP-L) na admissão associado ao Doppler fetal ou aos factores angiogénicos apresentou uma boa performance na predição das complicações neonatais e que a combinação destes 3 parâmetros não melhorou o nível de predição. O estudo demonstrou também, entre os factores angiogénicos, um melhor comportamento do PLGF, face ao sFlt-1 ou ao rácio sFlt-1/PLGF.

Como pontos fortes salienta-se o desenho prospectivo, a homogeneidade da amostra e dos protocolos de actuação aplicados. Como limitações de referir a amostra reduzida e a falta de follow-up a longo prazo dos recém-nascidos.