Por Daniela Almeida | Assistente Hospitalar do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Unidade Local de Saúde de Matosinhos – Hospital Pedro Hispano
Este estudo teve como objetivo definir um conjunto de achados ecográficos que permitem o diagnóstico imediato e inequívoco de 20 anomalias fetais: do sistema nervoso central (exencefalia/anencefalia; holoprosencefalia alobar/semilobar; encefalocelo; espinha bífida aberta; agenesia completa do corpo caloso); do coração (síndrome do ventrículo esquerdo hipoplásico; defeito do septo aurículo-ventricular completo; anomalia de Ebstein grave; estenose aórtica grave; transposição de grandes vasos); da parede abdominal e trato digestivo (atresia duodenal, hérnia diafragmática congénita esquerda, onfalocelo, gastrosquisis e anomalia body-stalk); do sistema urinário (doença renal poliquística autossómica recessiva; displasia renal multiquística; obstrução do trato urinário inferior) e do sistema esquelético (defeito transverso dos membros e defeitos do rádio). A escolha destes diagnósticos foi de certa forma arbitrária, podendo este princípio ser aplicável a outros diagnósticos não contemplados neste estudo, como por exemplo a fenda lábio-palatina. O intuito dos autores foi o de incrementar a possibilidade de diagnóstico precoce de condições com mau prognóstico ou daquelas que beneficiam de orientação atempada para centros de referência. Assim, de forma análoga ao conseguido pelo “International Ovarian Tumor Analysis” (IOTA) relativamente às massas ováricas, é possível facilitar o treino de ecografistas menos experientes, podendo vir a ser utilizado este método em algoritmos para ecografia associada a inteligência artificial.