Por Teresinha Simões | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia e Ginecologia – Maternidade Alfredo da Costa – CHLC
O objetivo do artigo é determinar qual a melhor técnica para efetuar a redução fetal seletiva em gravidezes monocoriónicas (MC) complicadas.
Num grupo de 259 gravidezes gemelares MC que necessitaram redução fetal seletiva, os autores foram comparar as 4 técnicas utilizadas: a coagulação intersticial por laser (29 casos,11%), a ablação por radiofrequência (64 casos,25%), a coagulação fetoscópica com laser (85 casos,33%) e a eletrocoagulação bipolar do cordão (81 casos,31%).
O primeiro evento estudado foi a mortalidade do outro gêmeo. Os eventos secundários estudados foram: a rutura prematura pré-termo de membranas com menos de 32 semanas (RPPM), a idade gestacional no parto e a morbilidade neonatal grave.
No total a mortalidade perinatal observada foi de 29% e a morte do outro gêmeo ocorreu em 19% dos casos, dos quais 7% nas primeiras 24h. A técnica com a mortalidade mais baixa foi a eletrocoagulação bipolar do cordão (17%, p = 0.012). A indicação com mais alta taxa de sobrevida foi a restrição de crescimento fetal seletiva (92%, p = 0.028). A RPPM abaixo das 32 semanas, ocorreu em 18% das pacientes, sem diferenças com significado estatístico entre as técnicas. A idade gestacional no parto foi de 35 semanas também não diferindo entre as técnicas. A lesão cerebral grave foi observada em 4% dos sobreviventes e em 14% dos casos houve morbilidade neonatal grave. Não houve diferenças no que respeita á técnica utilizada.
Os autores concluíram que a redução seletiva em gêmeos MC é um procedimento com elevado risco de mortalidade perinatal do outro gêmeo. A eletrocoagulação bipolar do cordão registou nesta avaliação, a mais baixa taxa de mortalidade, contudo no que respeita á RPPM antes das 32 semanas, a sua incidência foi alta independentemente da técnica utilizada.