Por Maria José Monteiro Morais | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia – Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Braga, E.P.E.
As patologias hipertensivas da gravidez (PHG), mantêm-se como principais contribuidoras para a mortalidade e morbilidade materna e perinatal. Estudos sugerem que são responsáveis por aproximadamente 1/6 de todos os partos prematuros.
Apesar da aspirina ser recomendada pela maioria das sociedades internacionais, a sua utilização para a prevenção de PHG tem sido debatida pelos resultados contraditórios de estudos randomizados.
Este estudo realizou uma análise secundária (n=11544) do estudo ASPIRIN, de modo a avaliar o impacto da aspirina, quando comparada com placebo, na idade gestacional do parto em mulheres com PHG. Este primeiro estudo englobou 11976 nulíparas, que foram randomizadas a iniciar aspirina 81 mg/dia ou placebo entre as 6-13 semanas até 36 semanas de gestação.
Mulheres que foram randomizadas para iniciar aspirina e que desenvolviam PHG tinham menor probabilidade de parto < 34 semanas (RR 0.37, 95% CI 0.17–0.81) ou < 37 semanas (RR 0.66, 95% CI 0.49–0.90), quando comparadas com o grupo placebo. Este grupo demonstrou também um menor risco de parto < 28 semanas, no entanto sem atingir diferença estatisticamente significativa, o que se deve provavelmente à baixa incidência este evento. Não foram encontradas diferenças nos outcomes maternos. O grupo designado a receber aspirina apresentou menor incidência de baixo peso ao nascimento (RR 0.71, 95% CI 0.57–0.87), recém-nascidos entre o P5 e P10 (RR 0.81, 95% CI 0.67–0.99) e mortes fetais. Nesta análise, aspirina, parece atrasar a idade gestacional do parto nas mulheres com PHG (AAS 38.5 s vs. placebo 37.9 s; RR 1.02, 95% CI 1.01–1.03). Recentemente uma análise secundária do estudo ASPRE sugeriu que o verdadeiro benefício da aspirina é a idade gestacional mais tardia do início da PHG, levando a menor morbilidade e mortalidade perinatal. Esta análise secundária do estudo ASPIRIN teve resultados sobreponíveis, apesar da menor dose de aspirina utilizada.