SUGESTÕES DA SEMANA

17/11/2023 — Sugestão da Semana por Luisa Pinto | Versão cefálica externa – o que pensam os obstetras em Portugal?

Por Luisa Pinto | Assistente Hospitalar Graduada Sénior; Assistente Convidada de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina de Lisboa

Este estudo transversal, baseado na aplicação de um questionário (n=99), pretendeu avaliar a atitude de internos e especialistas de Obstetrícia e Ginecologia portugueses face à técnica de versão cefálica externa (VCE) e perceber as razões para a não proposta desta técnica perante uma grávida com feto em apresentação não cefálica, no termo ou perto do termo, na ausência de contraindicações.

Apesar das recomendações emitidas por diversas sociedades nacionais e internacionais, o estudo mostrou que mais de metade dos clínicos (58,6%) não proporia a uma grávida nas circunstâncias acima, a realização de VCE e ainda que a VCE seria mais frequentemente proposta por médicos pertencentes a hospitais de apoio perinatal diferenciado (p=0,01), ainda que apenas 55,7% dos mesmos oferecessem a manobra.

A principal razão apontada para a não proposta da VCE foi a falta de experiência.

A VCE é uma manobra segura, com uma taxa de sucesso de cerca de 50%, e que permite reduzir a taxa de cesarianas por apresentação não cefálica em 43%.

Sendo a taxa de cesarianas um dos principais indicadores de qualidade em Obstetrícia, dados os maiores riscos a curto e médio prazo que implica, todas as medidas no sentido de a reduzir devem ser promovidas a nível nacional.

Assim, em Portugal, devemos continuar a apostar em duas frentes: na formação dos clínicos – que de acordo com o presente estudo estão na sua maioria (81,8%) interessados em obtê-la – para que a VCE possa ser implementada num maior número de hospitais, e na divulgação dos hospitais que a realizam, para que as grávidas com indicação possam ser referenciadas para os mesmos, tendo oportunidade de realizar a manobra e maior probabilidade de ter um parto vaginal.