Por Nuno Clode | Assistente Hospitalar Sénior de Obstetrícia e Ginecologia – Hospital CUF Torres Vedras
A evidência mostra que a identificação de grávidas com risco de acretismo placentário, porque permite o envio atempado da gestante a um centro com recursos humanos e materiais passiveis de lidar com o caso, diminui o risco de complicações maternas no parto e, muito em particular, da morbilidade associada à hemorragia maciça. O objectivo deste trabalho foi o de avaliar a importância da ecografia transvaginal em prever os desfechos obstétricos em grávidas com elevada probabilidade de terem acretismo placentário
Trata-se de uma analise retrospectiva em que foram avaliadas imagens obtidas (menos 2 semanas antes do parto) por ecografia transvaginal em 111 grávidas de feto único com pelo menos uma cesariana anterior e com existência de placenta prévia ou placenta anterior baixamente inserida. Quando comparada com a avaliação transabdominal, a avaliação ecográfica transvaginal previu melhor a necessidade de histerectomia por maior capacidade de avaliar a espessura do segmento inferior do útero, alterações da estrutura e vascularização cervical e presença de lacunas placentárias.
Apesar das limitações associadas ao tipo de estudo (retrospectivo) e ao facto dos avaliadores dos exames ecográficos desconhecerem o contexto clínico das gestantes (sempre importante na avaliação de risco deste tipo de gestações), os autores concluem que a avaliação ecográfica em grávidas com alto risco de do especto de acretismo placentário deve ser sempre incluída no protocolo pré-operatório.