Por Vera Trocado | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia da Unidade Local de Saúde do Alto Minho – Viana do Castelo / Assistente Convidada da Escola de Medicina da Universidade do Minho
A indução do trabalho de parto é um dos procedimentos obstétricos mais efetuados na atualidade. O uso da sonda de Foley na maturação cervical demonstrou ter diversas vantagens relativamente aos métodos farmacológicos, sendo considerado um método eficaz, seguro e com um baixo custo associado.
Esta meta-análise inclui 8 ensaios clínicos randomizados e controlados (740 grávidas), um dos quais português, e reúne a evidência publicada até à data quanto à comparação da aplicação da sonda de Foley em contexto de ambulatório vs. internamento hospitalar. Reporta uma menor duração do internamento no bloco de partos (16,3 ± 9,7 vs. 23,8 ± 14,0 horas) e uma menor taxa de cesarianas (21% vs. 27%) no grupo de aplicação em ambulatório, sem registo de mortes fetais ou neonatais, hiperestimulação uterina ou necessidade de intervenção urgente aquando da admissão hospitalar deste grupo. Desta forma, demonstra que, numa população de baixo risco, a aplicação da sonda de Foley em contexto de ambulatório se associa a uma redução de cerca de 7 horas na duração do internamento no bloco de partos e de cerca de 24% no risco de cesariana, comparativamente à maturação cervical com sonda de Foley em regime de internamento, sem diferenças no que diz respeito aos restantes desfechos obstétricos, maternos ou neonatais. Quanto a limitações a apontar, há alguma heterogeneidade no desenho dos estudos incluídos e não são reportados dados relativamente à satisfação das grávidas ou custos associados, embora os resultados pareçam ser favoráveis nestas áreas.
Este trabalho vem demonstrar que a aplicação da sonda de Foley em regime de ambulatório deverá ser uma alternativa a considerar para a maturação cervical e apresenta ainda uma proposta de protocolo para aplicação deste método, que poderá ser bastante útil para a prática clínica.