SUGESTÕES DA SEMANA

13/05/2022 — Sugestão da Semana por Mónica Centeno | Treatment for Mild Chronic Hypertension during Pregnancy

Por Mónica Centeno |  Assistente Hospitalar Graduada. Serviço de Obstetrícia – Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução – Hospital de Santa Maria – CHULN

Algumas sociedades científicas recomendam a terapêutica farmacológica da hipertensão arterial crónica na gravidez apenas quando os valores tensionais são superiores ou iguais a 160/110 mmHg. A principal justificação para esta atitude prende-se com o potencial risco de comprometer a perfusão placentária e o crescimento fetal se a pressão arterial estiver abaixo dos 140/90 mmHg nas grávidas com HTA crónica.

Os autores realizaram um estudo multicêntrico randomizado que incluiu 2408 grávidas de feto único com diagnóstico de HTA crónica (diagnosticada previamente à gravidez ou até às 20 semanas de gestação). As grávidas foram randomizadas em 2 grupos: um grupo recebia terapêutica farmacológica para manter a TA < 140/90 mmHg (grupo de tratamento ativo) e o outro apenas fazia terapêutica farmacológica se TA ≥ 160/110 mmHg (grupo de controlo). O desfecho primário era um desfecho composto que incluía: pré-eclâmpsia com critérios de gravidade, parto pré-termo antes das 35 semanas por indicação médica, descolamento prematuro de placenta normalmente inserida, morte fetal ou neonatal. O desfecho de segurança era o peso do recém-nascido inferior ao percentil 10. Os resultados demonstraram que a incidência do desfecho primário foi inferior no grupo de tratamento ativo (30.2% vs 37%) com um risco ajustado de 0.82 (95%IC, 0.74-0.92) e que a incidência de recém-nascidos com peso < percentil 10 foi idêntica nos dois grupos (11.2% vs 10.4%). Verificaram ainda que a incidência de pré-eclâmpsia e de parto pré-termo foram inferiores no grupo de tratamento ativo com taxas de 24.4% vs 31.1% e 27.5% vs 31.4% respetivamente. Estes resultados apontam para uma melhoria dos desfechos obstétricos analisados quando se promove um controlo mais estrito da pressão arterial nas grávidas com HTA crónica sem que se verifique um compromisso do crescimento fetal.