SUGESTÕES DA SEMANA

20/05/2022 — Sugestão da Semana por Neusa Teixeira | Prenatal findings and associated survival rates in fetal ventriculomegaly: A prospective observational study

Por Neusa Teixeira |  Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital de Braga

A ventriculomegalia (VM) fetal associa-se a um espectro variável de alterações estruturais e genéticas. O prognóstico é variável e depende, primeiramente, da presença de anomalias coexistentes. Na ausência de outras malformações, o prognóstico relaciona-se com a dimensão dos ventrículos, sua progressão e bilateralidade. Perante uma VM impõe-se a realização de ecografia detalhada da anatomia, eventual ressonância magnética, realização de amniocentese (PCR/arrays) e despiste de infeção fetal.

Através de um estudo observacional prospetivo (janeiro 2011-julho 2020), que incluiu os casos referenciados por VM, os autores apresentam a experiência de um centro de referência europeu quanto ao grau da VM (ligeira 10–12mm, moderada 13-15mm, grave >15mm), se isolada ou com anomalias estruturais/cromossómicas/genéticas associadas e taxas de sobrevida perinatal.

213 fetos foram estratificados em 3 grupos: VM ligeira 42,7%, severa 44,6%, moderada 12,7%. A avaliação ecográfica inicial reportou VM isolada em 45,5%(n=97) e em 54,5%(n=116) foram encontradas anomalias estruturais associadas. A VM mostrou-se isolada em 54,9% dos casos de VM ligeira, 40,7% na moderada e em 16,8% na grave (P>0,05). A taxa de anomalias do SNC associadas no grupo da VM grave foi significativamente maior (52,6%), comparativamente à ligeira (14,3%) e moderada (18,5%). A taxa de alterações genéticas/cromossómicas foi de 16,4%, sendo similar nos 3 grupos(35/213). Após protocolo de investigação completo, a taxa de VM isolada diminuiu para 36,1% e a sobrevida global foi de 85,6%. Transversal aos 3 grupos, a sobrevida mostrou ser superior na VM isolada e inferior na VM grave. Os resultados, na generalidade, são sobreponíveis aos da literatura.

Como ponto forte, e principal achado deste estudo, de referir, a diminuição da taxa de VM isolada após realização de investigação etiológica (45,5% para 36,1%).

Em suma, o aconselhamento aos casais deve sublinhar que na VM aparentemente isolada, existe a possibilidade de diagnosticar alterações estruturais e/ou genéticas adicionais em até 10% dos fetos.