Por Naeigal Pereira | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia , Hospital Beatriz Ângelo, Loures
A Pré-Eclâmpsia (PE) afeta globalmente cerca de 4-5% das gestações, sendo das principais causas de morbi-mortalidade materna e perinatal. Embora mais prevalente em gestações de termo, o desafio coloca-se abaixo das 34 semanas, tornando difícil a decisão do parto e o equilíbrio entre as consequências da prematuridade e a evolução do estado materno.
Numa perspetiva clínica, surge a necessidade de modelos e marcadores prognósticos que auxiliem na decisão do tipo de vigilância e timing do parto, sem prejuízo do bem-estar materno e fetal.
Os marcadores bioquímicos placentários são já utilizados na exclusão de PE em casos suspeitos, surgindo evidências sobre o seu contributo no prognóstico de casos confirmados.
O estudo apresentado tem como objectivo definir o papel dos marcadores placentários, fetais e cardiovasculares maternos na previsão dos outcomes adversos materno e perinatal em situações de suspeita e confirmação de PE.
É um estudo prospetivo prognóstico que envolve 126 mulheres, divididas em 2 grupos, com suspeita e diagnóstico de PE, sendo registados os dados demográficos e analisados os marcadores placentários (sFlt-1 e PlGF), fetais (PFE, IP das artérias umbilical e CM e o ICP) e índices hemodinâmicos maternos (PVS da artéria oftálmica, PA média, IP das artérias uterinas). O desempenho destes parâmetros foi avaliado em combinação ou isoladamente na previsão dos outcomes adversos definidos.
Os autores concluíram que o rácio sFlt-1/PlGF demonstrou ser melhor marcador individual na predição do outcome perinatal adverso, sendo esse desempenho menos robusto em relação ao outcome materno e que a adição dos marcadores cardiovasculares maternos e fetais a este modelo, não melhora o desempenho prognóstico deste marcador.
Salientam-se como pontos fortes ser um estudo prospetivo e a ocultação aos clínicos envolvidos do resultado dos marcadores placentários. Como pontos fracos a limitação da amostra e ausência de comparação com um grupo de grávidas normotensas.