Por Teresinha Simões | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia e Ginecologia – Maternidade Alfredo da Costa – CHLC
Estudos recentes sugerem um aumento de duas a três vezes da morbilidade e mortalidade cardiovascular dez anos após uma gravidez simples complicada por patologia hipertensiva. A gravidez gemelar tem um risco 2 a 3 vezes superior de patologia hipertensiva.
Petra M. van Baar et al. fizeram um estudo retrospetivo utilizando os dados do Registo Perinatal dos Países Baixos dos partos gemelares e simples ocorridos entre 1995 e 2015 (LVR2-registry). Destes selecionaram apenas as nulíparas. Cruzaram estes dados com o registo de mortes por doença cardiovascular.
No estudo foram incluídas 1.243 231 nulíparas; destas 30 623 (2,5%) tinham tido uma gravidez gemelar e 1.212 608 (97,5%) uma gravidez simples. Registaram patologia hipertensiva em 9.853 (32,2%) das grávidas gemelares e em 249 141 (20,6%) das grávidas com feto único (p<0.0001). Verificaram que 14/73 (19.2%) e 335/1,788 (18.7%) foram mortes por patologia cardiovascular no grupo da gravidez gemelar e simples respetivamente. Apenas 10/117 (8.6%) das mulheres com gravidez gemelar sem patologia hipertensiva durante a gravidez morreram por patologia cardiovascular, aHR de 2.85 (95% CI 1.26–6.41; p = 0.01). Quando comparados os dois grupos (gemelar e simples) com patologia hipertensiva na gravidez não se verificaram diferenças com significado estatístico. Concluíram que a patologia hipertensiva tanto na gravidez simples como na gemelar aumenta de modo semelhante o risco de complicações e morte por doença cardiovascular no futuro. Um dos pontos fortes do artigo é a dimensão da amostra, contudo foram só incluídas as gravidezes que constavam do LVR2-registry, onde estão apenas registadas as gravidezes vigiadas por obstetras, as gravidezes vigiadas por enfermeiros não constam desse registo. Outra das limitações do estudo tem a ver com o facto de terem incluído gravidezes até 2015 logo com pouco tempo para já existirem complicações cardiovasculares.