Por Teresa Carraca | Assistente Hospitalar Graduada de Ginecologia e Obstetrícia – Centro de Diagnóstico Pré-Natal do Centro Hospitalar Universitário de S. João
A gravidez gemelar monocoriónica mantém-se um desafio para a Obstetrícia, uma vez que se associa, com alguma frequência, a complicações e desfechos perinatais adversos.
A restrição de crescimento seletiva complica cerca de 10% das gravidezes monocoriónicas. É dividida em três tipos de acordo com o padrão de fluxo na artéria umbilical do feto mais pequeno.
A restrição de crescimento seletiva tipo III, é responsável por cerca de 5% das restrições, e é caracterizada por um fluxo intermitentemente ausente ou invertido na artéria umbilical.
Neste artigo os autores pretendem identificar os fatores associados com a morte de um ou ambos os fetos numa coorte de gravidezes complicados por restrição seletiva tipo III, de forma a criar um algoritmo de orientação pré-natal.
Este é estudo coorte retrospetivo multicêntrico que inclui 308 gravidezes com restrição de crescimento seletiva tipo III. Apesar de na análise univariada se terem encontrado parâmetros com significado estatístico – deterioração dos parâmetros Doppler e idade gestacional mais precoce na referenciação – , na análise multivariada nenhum dos parâmetros manteve esse significado. Foram identificados 3 grupos de risco, com base na deterioração do Doppler da artéria umbilical: alto, intermédio e baixo. No entanto, a fraca previsibilidade deste modelo não permite melhorar o desfecho destas gestações. De qualquer forma, podem ajudar no aconselhamento do casal com estimativas de risco realistas e individualizadas para as suas gestações.