SUGESTÕES DA SEMANA

26/08/2022 — Sugestão da Semana por Telma Almeida | Guidelines for pregnant individuals with monkeypox vírus exposure

Por Telma Almeida | Assistente Hospitalar Graduada de Ginecologia e Obstetrícia – ULSM, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos

Em maio de 2022, a OMS declarou emergência global para a infeção por vírus monkeypox, documentando a transmissão comunitária entre pessoas que contactaram casos sintomáticos em países não endémicos.

A possibilidade desta infeção na gravidez é de considerar após levantamento das restrições pós-COVID-19 e com abertura das fronteiras. A infeção humana pelo monkeypox vírus acarreta um elevado risco de infeção congénita grave, aborto e aumento da morbi/mortalidade materna.

Neste artigo é proposto um algoritmo de atuação clínica para grávidas com exposição ao vírus e perante a suspeição clínica na grávida que apresente linfadenopatia e rash vesiculo-papular (incluindo a região genital e peri-anal), inclusive as que não têm link epidemiológico.

O diagnóstico confirma-se através de testes de amplificação de DNA ou de PCR para o vírus monkeypox a partir de lesões vesiculares. Aconselha-se concomitantemente a pesquisa de varicela, herpes simplex e sífilis, uma vez que as lesões podem ser semelhantes.

Às grávidas com positividade ao vírus, mas assintomáticas, recomenda-se isolamento domiciliário durante 21 dias, sendo de considerar a vacinação, idealmente entre 4 a 14 dias após a exposição. As sintomáticas, devem ser internadas em centro diferenciado, com monitorização da gravidade clínica (número de lesões), tratamento das lesões, controlo da dor, administração de antibióticos, vacina ou imunoglobulina. A administração de Cidofovir, deve ser considerada apenas nos casos muito críticos (teratogénico).

A monitorização ecográfica fetal é aconselhada, procurando anomalias como hepatomegalia fetal ou hidropsia, devendo esta monitorização também ser feita às grávidas assintomáticas, mas com exposição significativa ao vírus.

A sensibilidade de deteção do vírus no líquido amniótico é desconhecida, embora seja provável que se encontre a partir do momento em que o feto produz urina (18-21 sem).

Considerar a via de parto por cesariana, apenas na presença de lesões genitais.

No parto, recomenda-se determinar a carga viral no cordão umbilical e placenta e teste PCR em amostras do neonato.