SUGESTÕES DA SEMANA

14/10/2022 — Sugestão da Semana por Cecília Marques | Planned delivery or expectant management in preeclampsia: an individual participant data meta-analysis

Por Cecília Marques | Assistente Hospitalar de Ginecologia/Obstetrícia; Hospital de Braga, EPE

Os distúrbios hipertensivos da gravidez são uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. Tradicionalmente, uma atitude expectante entre as 34+0 e as 36+6 semanas tem sido adotada nas situações de pré-eclâmpsia sem critérios de gravidade.

Esta é uma meta-análise com base em dados de doentes individuais que incluiu 1790 participantes de 6 estudos randomizados nos quais se comparou a programação do parto e a atitude expectante nas situações de pré-eclâmpsia após as 34 semanas.

O parto programado a partir das 34+0 diminuiu, significativamente, o risco de morbilidade materna [2,6% vs 4,4%; adjusted risk ratio (aRR), 0,59; IC 95%, 0,36 – 0,98; p=0,041]. Em relação à morbilidade perinatal, verificou-se um aumento da mesma (20,9% vs 17,1%; aRR 1,22; IC 95% 1,01 – 1,47; p=0,04), nomeadamente da síndrome de dificuldade respiratória (SDR) e do número de internamentos na Unidade de Cuidados Intensivos de Neonatologia. O aumento da SDR notou-se, principalmente, em estudos mais antigos nos quais não foi realizado ciclo de maturação pulmonar. Não foram encontradas diferenças na taxa de parto vaginal entre os dois grupos. O número de fetos pequenos para a idade gestacional foi menor no grupo do parto programado. Verificou-se ainda uma diferença de cerca de 3 dias entre o parto programado e a atitude expectante, com 74% dos casos a evoluírem para pré-eclâmpsia com critérios de gravidade.

Os pontos fortes deste estudo são a metodologia, o número de participantes e a inclusão de ensaios clínicos randomizados com baixo risco de viés. Apresenta como principal limitação as alterações na prática clínica no decorrer de 20 anos.

Em conclusão, a programação do parto nas situações de pré-eclâmpsia após as 34 semanas parece estar associada a menor morbilidade materna e menor taxa de fetos pequenos para a idade gestacional, com um possível aumento da morbilidade respiratória neonatal.