SUGESTÕES DA SEMANA

28/10/2022 — Sugestão da Semana por Luisa Martins | Boosting maternal and neonatal humoral immunity following SARS-CoV-2 infection using a single messenger RNA vaccine dose

Por Luisa Martins | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia – Hospital CUF Descobertas

A infeção por SARS-CoV-2 continua a ser uma ameaça, apesar da clínica ser menos grave. A grávida apresenta um risco acrescido para as complicações associada à infeção e a vacinação é recomendada por muitas sociedades científicas, no entanto a aceitação pela população é baixa.

Trata-se de um estudo, prospetivo, com 228 parturiente, realizado em Israel entre Maio e Outubro 2021, com o objetivo de determinar a variação dos níveis de anticorpos anti-SARS-CoV-2 (Ac.) após a infeção durante a gravidez e caracterizar o efeito de uma única dose de reforço pós-infeção com a vacina Pfizer BNT162b2 mRNA.

O grupo de grávidas com história confirmada de SARS-CoV-2 antes ou durante a gravidez (n=64) foi comparado com 3 grupo selecionados dependendo do tempo de exposição: parturientes convalescentes sem reforço (n=54); parturientes convalescentes com uma dose de reforço (n=60); parturientes nunca infetadas, com 2 doses da vacina (n=14).

A determinação de Ac. no soro de parturientes e no cordão umbilical foi realizada momento do parto e 6 a 13 semanas pós-parto.

Os resultados demonstraram um declínio significativo dos níveis de Ac. desde a infeção até o parto (r=0,4371; p=0,0003). Das gravidas infetadas no primeiro trimestre 34,6% (9/26) testaram negativo no parto, comparando com 9,1% (3/33) das infetadas no segundo trimestre (p=0.023). Os níveis de Ac. foram significativamente mais altos entre as gravidas convalescentes com reforço da vacina comparando com as gravidas convalescentes sem reforço (17,6 vezes; p <0,001) e parturientes nunca infetadas e vacinadas (3,2 vezes; p <0,001). Padrões semelhantes foram observados no sangue do cordão umbilical. Verificou-se um declínio gradual nos níveis de Ac após a infeção. Como pontos fortes: estudo prospetivo, bem desenhado com metodologia rigorosa. Como limitações: amostra pequena, não foi avaliada o tempo entre a vacinação e a seroproteção neonatal, não houve um acompanhamento dos recém-nascidos a longo prazo.