SUGESTÕES DA SEMANA

26/02/2021 — Sugestão da Semana por Elsa Pereira | How often do we identify fetal abnormalities during routine third-trimester ultrasound? A systematic review and meta-analysis

Por Elsa Pereira | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital da Senhora da Oliveira, Guimarães / Assistente Convidada da Escola de Medicina da Universidade do Minho

O desenvolvimento intra-uterino começa no período embrionário e prossegue ao longo de toda a gravidez. Muitas estruturas, sobretudo as cerebrais, continuam o seu desenvolvimento no período pós-natal. Assim, muitas anomalias são passíveis de diagnóstico apenas com a maturação fetal e em fases mais avançadas da gravidez.  Embora mais tardio, o diagnóstico é importante para melhorar a conduta obstétrica, planear alguma intervenção ou fazer um seguimento pós-natal adequado.

Esta revisão sistemática e meta-análise teve como objetivos determinar a prevalência e o tipo de malformações detetadas na ecografia do 3º trimestre, em grávidas com rastreio ecográfico morfológico normal no 2º trimestre. Foram incluídos 13 estudos,  mais de 140 000 grávidas, tendo sido a prevalência de anomalias diagnosticadas de 3,68 por 1000 ecografias realizadas (IC 95%: 2,72-4,78). As anomalias urogenitais foram as mais frequentemente encontradas (54,6%), seguidas das malformações cerebrais (17,6%) e cardíacas (14%).

Apesar de não haver uniformidade dos estudos, pois a idade gestacional da ecografia 3º trimestre variou entre 28-40 semanas e nem todos os estudos especificaram o rastreio morfológico como objetivo da ecografia, os autores encontraram uma anomalia ecográfica em cada 300 exames realizados.

Numa altura em que o diagnóstico das malformações estruturais fetais se centra sobretudo na ecografia morfológica do 1º e 2º trimestre (diagnóstico precoce), e a ecografia do 3º trimestre está amplamente valorizada para o diagnóstico da restrição de crescimento fetal, este trabalho vem reafirmar a importância desta última no diagnóstico das malformações de aparecimento tardio.

Ainda não é consensual qual o momento ideal para estabelecer um protocolo de 3º trimestre, que inclua simultaneamente as melhores condições para a avaliação da anatomia fetal e para o rastreio da restrição de crescimento fetal tardia, e esta revisão pode contribuir para o determinar.