Por Renato Martins | Assistente Hospitalar Graduado de Ginecologia e Obstetrícia – Serviço de Obstetrícia e Ginecologia – Departamento Saúde Criança e Mulher – Centro Hospitalar Universitário Cova da Beira EPE / Assistente Convidado de Ginecologia e Obstetrícia – Faculdade Ciências da Saúde – Universidade Beira Interior
Na Indução do Trabalho de parto, o seu perfil de segurança e eficácia são questões prementes na mente de qualquer obstetra na sua prática diária. Trata-se de uma prática comum em obstetrícia podendo atingir até 20-30% na gravidez de termo. No entanto qual o método mais eficaz e seguro continua envolto em controvérsia e incerteza. O recurso à meta-análise com individualização da informação dos participantes permite uma maior padronização e comparação dos dados obtidos. Este estudo de Kemper et al., define como outcome primário a probabilidade de parto por via vaginal, a probabilidade de desfechos perinatais adversos e probabilidade de desfechos maternos adversos. De 1012 potenciais estudos foram incluídos 4 Randomized Controlled Trials, comparando o uso de sonda Foley versus misoprostol oral na indução do trabalho de parto na gravidez de termo unifetal. Foram incluídas 2815 participantes com 1399 no uso da sonda Foley e 1416 no uso de misoprostol oral. Apesar do estudo demonstrar igual perfil de eficácia e segurança, demonstrou uma ligeira redução na probabilidade de parto por via vaginal, e de desfechos perinatais adversos no grupo da sonda Foley (RR 0.95 – 95% CI 0.91-0.99 e RR 0.71 – 95% CI 0.48-1.05 ). O ponto forte deste estudo é o tamanho da amostra, mas há que referir como limitação ao mesmo, a ausência de informação e consistência das definições utilizadas sobretudo na análise dos outcomes secundários. Em termos práticos e clínicos conclui-se que o recurso à sonda Foley para indução do trabalho de parto poderá ser útil, com similar grau de eficácia e segurança, nos casos de particular atenção ou gravidade perinatal.