SUGESTÕES DA SEMANA

30/04/2021 — Sugestão da Semana por Pedro Rocha | Planned Cesarean or planned vaginal delivery for twins: secondary analysis of randomized controlled trial

Por Pedro Rocha | Assistente Hospitalar Graduado de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital da Luz, Lisboa.

A decisão da via de parto na gravidez gemelar é o último desafio na vigilância pré-natal destas pacientes. O parto é sempre gerador de ansiedade junto das grávidas o que implica um aconselhamento obstétrico baseado na melhor evidência científica.

O artigo apresentado esta semana é uma a análise secundária do Twin Birth Study, estudo multicêntrico randomizado e controlado, realizado em 106 centros de 25 países, e que incluiu 2804 gestações gemelares, entre as 32s+0d e as 38s+6d, em que o 1º feto se encontrava cefálico. Neste estudo as pacientes foram randomizadas para parto por cesariana ou parto vaginal.

Os autores definiram 13 marcadores de prognóstico (características maternas e da gravidez) sendo que não foram encontradas diferenças entre os grupos no que concerne aos desfechos perinatais adversos. No entanto, se analisados os desfechos perinatais adversos de acordo com a idade gestacional no parto, os autores encontraram uma tendência para uma menor incidência entre as 32s+0d e as 36s+6d no grupo programado para parto vaginal. Pelo contrário, nos partos ocorridos após as 37s+0d observaram uma maior incidência de desfechos perinatais adversos no grupo programado para parto vaginal (OR de 2.25 – IC 95%, 1,06-4,77).

Os autores colocam a idade gestacional como o factor mais determinante quanto ao prognóstico perinatal. Assim, entre as 32 e as 37 semanas, estando o primeiro feto cefálico, deve ser aconselhado o parto vaginal. Após as 37 semanas o parto por cesariana é mais seguro para ambos os fetos;  no entanto, os riscos absolutos são muito baixos e devem ser ponderados tendo em conta o acréscimo de risco materno associado a uma cesariana.