SUGESTÕES DA SEMANA

16/07/2021 — Sugestão da Semana por Maria José Monteiro de Morais | Impact of new definitions of preeclampsia at term on identification of adverse maternal and perinatal outcomes

Por Maria José Monteiro de Morais |  Assistente Hospitalar de Ginecologia/Obstetrícia, Hospital de Braga E.P.E

A definição clássica de pré-eclampsia é baseada na presença de hipertensão e proteinúria. É reconhecido que mulheres com hipertensão crónica ou gestacional irão desenvolver complicações tipicamente associadas à pré-eclampsia sem se enquadrar nos critérios clássicos pelo que esta definição tem sido expandida para incluir evidência de lesão de órgão alvo ou disfunção uteroplacentar.

Este estudo, prospetivo e de coorte, multicêntrico, incluiu 15248 gestações unifetais, com avaliação entre as 35 0/7– 36 6/7 semanas. Foram examinadas todas as referências a hipertensão crónica ou hipertensão de novo com pré-eclâmpsia, sendo esta definida de cinco formas: critérios clássicos; definição do American College of Obstetricians (ACOG) 2013; definição da International Society for the Study of Hypertension in Pregnancy (ISSHP) associada a fatores maternos (ISSHP-M); ISSHP associada a fatores materno-fetais (ISSHP-MF), e a quinta definição que incluía marcadores angiogénicos (ISSHP-MF-AI).

Pré-eclampsia foi menos comum com a definição clássica (1,8%) aumentando progressivamente até 3,3% na definição ISSHP-MF-AI.  Este aumento da prevalência associou-se a uma melhor identificação de grávidas em risco de eventos perinatais adversos com taxas semelhantes de falsos positivos.

Os principais outcomes incluíam hipertensão severa, mortalidade ou morbilidade materna e perinatal major. Hipertensão severa foi mais comum na definição ISSHP-MF-AI (66.9% vs 40,6% nos critérios clássicos). Os eventos maternos adversos foram mais comuns em todas as outras definições quando comparadas com os critérios clássicos (100% vs 72,2%, p=0,046). Os eventos perinatais adversos foram também tendencialmente mais frequentes nas definições mais alargadas (46,9% até 71,1% na ISSHP-MF-AI, p=0,002).

Estes achados evidenciam da necessidade de adoção de critérios alargados de pré-eclampsia, que conseguem identificar mais mulheres e fetos em risco de eventos adversos. Sugerem também que as definições da ISSHP identificam melhor estas mulheres e que a adição de diagnóstico de disfunção uteroplacentária otimiza esta identificação, principalmente quando são integrados fatores angiogénicos.