Por Maria do Céu Almeida | Assistente Hospitalar Sénior de Obstetrícia Ginecologia do Serviço de Obstetrícia B – Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Esta meta-análise de estudos RCTs (usando a metodologia Cochrane) pretende avaliar a eficácia na utilização da heparina de baixo peso molecular (HBPM) na prevenção da pré-eclâmpsia (PEC) e outras complicações relacionadas com distúrbios placentários – PROSPERO.
Foram incluídos 15 estudos envolvendo 2795 mulheres em que se comoaram desfechos entre populações tratadas com HBPM (associada ou não a aspirina) com populações em que não se utilizou HBPM ou em que apenas foram medicadas com aspirina isoladamente (em mulheres de alto risco para PEC). Outcomes: primário – desenvolvimento de PEC (critérios da ISSHP ou ACOG) e os secundários – RCF ou pequenos para a idade gestacional (PIG), morte perinatal, HELLP, eclâmpsia ou morte materna. Foi também analisada a presença de efeitos secundários como hemorragia, alergia relacionada com o tratamento e trombocitopenia. Foram efetuadas subanálises para associação de HBPM e aspirina, idade gestacional do início do tratamento, presença de trombofilias e tipo de heparina administrada.
Na prevenção da PEC, o uso de HBPM (enoxaparina e dalteparina foram semelhantes) antes das 16 semanas reduziu significativamente a PEC (tanto em uso isolado como associada a aspirina) independente da presença ou não de trombofilias. Esta redução também se verificou nos PIG (mais com a dalteparina) e na mortalidade perinatal. Não se verificaram diferenças nos outros outcomes secundários. Dos efeitos secundários houve diferença na maior reação alérgica cutânea no grupo tratado com HBPM. No subgrupo da associação HBPM e aspirina a redução da PEC foi superior ao do subgrupo que fez aspirina isolada.
Como ponto forte do estudo salienta-se a dimensão da amostra que permitiu abordar aspetos ainda não estudados como a presença ou não de trombofilias, o tipo de HBPM e o estudo dos efeitos secundários. A grande limitação da meta-analise é a qualidade metodológica dos estudos incluídos que variaram entre moderada a baixa.
Os autores concluem que é necessário mais estudos para confirmar que a terapêutica conjunta de aspirina e HBPM seja melhor que a aspirina isolada na prevenção da PEC nas gestações de alto risco.