Por Alexandra Miranda | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital de Braga / Assistente Convidada da Escola de Medicina da Universidade do Minho
A Pré-Eclâmpsia é uma síndrome multissistémico que complica cerca de 5% das gravidezes, sendo responsável por aproximadamente 14% da mortalidade materna. A infeção por SARS-CoV-2 na gravidez parece aumentar o risco de eventos adversos (internamento nos Cuidados Intensivos, ventilação mecânica invasiva e morte materna). No entanto, a sua relação com o risco de patologia obstétrica, nomeadamente Pré-Eclâmpsia, ainda está pouco esclarecida. A resposta inflamatória sistémica materna exagerada é um dos possíveis mecanismos biologicamente plausíveis para o eventual aumento de risco desta complicação da gravidez.
O presente estudo descreve uma revisão sistemática e meta-análise para determinar se a infeção por SARS-CoV-2 na gravidez aumenta o risco de Pré-Eclâmpsia. Os autores definiram como desfecho primário a Pré-Eclâmpsia e como desfechos secundários a Pré-Eclâmpsia com ou sem critérios de gravidade, Eclâmpsia e o Síndrome HELLP.
Foram incluídos 28 estudos observacionais publicados entre dezembro/2019 e maio/2021, envolvendo 790 954 grávidas, das quais 15 524 diagnosticadas com infeção por SARS-CoV-2. Grávidas com infeção por SARS-CoV-2 apresentaram risco significativamente aumentado de desenvolver Pré-Eclâmpsia comparativamente a grávidas não infetadas (OR 1,58; 11 estudos). A infeção por SARS-CoV-2 durante a gravidez associou-se, de forma estatisticamente significativa, a maior risco de Pré-Eclâmpsia com critérios de gravidade (OR 1,76; 7 estudos), Eclâmpsia (OR 1,97; 3 estudos) e Síndrome HELLP (OR 2,10; 1 estudo). A infeções por SARS-CoV-2 (sintomática ou assintomática) aumentou significativamente o risco de Pré-Eclâmpsia (OR de 2.11 e 1.59, respetivamente). Os profissionais de saúde devem estar alerta para esta associação de forma a diagnosticar precocemente Pré-Eclâmpsia em grávidas com infeção por SARS-CoV-2. Como pontos fortes do estudo salienta-se o número de participantes e a pertinência/atualidade do tema. Como limitações destaca-se o reduzido número de estudos disponíveis para avaliação de alguns dos desfechos secundários.