SUGESTÕES DA SEMANA

05/11/2021 — Sugestão da Semana por Inês Nunes | Routine first-trimester combined screening for pre-eclampsia: pregnancy-associated plasma protein-A (PAPP-A) or placental growth factor (PlGF)?

Por Inês Nunes | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia, Centro Materno-Infantil do Norte – CMIN, Centro Hospitalar e Universitário do Porto – CHUPorto.

Professora Auxiliar Convidada do ICBAS – School of Medicine and Biomedical Sciences, Universidade do Porto, Porto.

O objetivo deste estudo caso-controlo retrospetivo, numa coorte de grávidas submetidas a rastreio combinado do primeiro trimestre (algoritmo da Fetal Medicine Foundation), foi comparar a eficácia clínica do rastreio de pré-eclâmpsia (PE), leves para a idade gestacional (LIG) e trissomia 21 (T21), usando a história clínica materna, a pressão arterial, o Doppler das artérias uterinas e o PAPP-A ou o PlGF.

O PAPP-A foi doseado em 1094 grávidas (82 com PE, 111 com LIG, 53 com PE e LIG e 94 com fetos T21). O PlGF foi doseado retrospetivamente (soro congelado) em 1066/1094 grávidas – o PlGF sérico mediano em MoMs foi significativamente inferior em gestações com PE (1.0 (interquartile range (IQR), 0.8–1.4); P<0.01), LIG (1.0 (IQR, 0.8–1.3); P<0.001) e T21 (0.6 (IQR, 0.5–0.9); P<0.0001) comparativamente com os controlos (1.2 (IQR, 0.9 – 1.5)). Não houve diferença significativa no desempenho do rastreio usando o PAPP-A ou o PlGF, quer para a PE precoce (AUC, 0.78 vs 0.79; P = 0.55) quer para a PE a termo (AUC, 0.74 vs 0.74; P = 0.60); resultados que se mantiveram após correção para o uso de aspirina. De igual modo, não se verificaram diferenças na sensibilidade e especificidade do rastreio para T21 e LIG, usando o PAPP-A vs PlGF. O ponto mais positivo deste estudo é que avaliou a performance do rastreio de PE do 1º trimestre na prática clínica de rotina de um hospital público, em que a profilaxia com aspirina é decidida com base nos resultados daí decorrentes. Esta é também a principal limitação – análise retrospetiva aninhada numa coorte de grávidas de risco (maior prevalência de PE, LIG e T21), influenciando os valores preditivos dos testes aplicados. Esta limitação foi mitigada pelo cálculo da sensibilidade e especificidade, não afetados pela prevalência da doença. Assim, o rastreio combinado do primeiro trimestre para pré-eclâmpsia pode ser implementado aproveitando os níveis de PAPP-A disponíveis para o rastreio de aneuploidias, protocolo já em uso na maioria dos hospitais públicos portugueses.