Por Ana Teresa Martins | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia Ginecologia / Centro de Diagnóstico Pré-Natal e Terapia Fetal / Maternidade Dr. Alfredo da Costa/ CHULC
A pandemia de COVID 19 veio modificar os padrões epidemiológicos dos países desenvolvidos. Esta nova realidade associada ao envelhecimento da população e à disseminação de condições crónicas (fatos transversais à população obstétrica) obriga a uma mudança no paradigma do desempenho clínico sobretudo em países de acolhimento como o nosso, designadamente comunidades imigrantes dos PALOP e refugiados acolhidos por razões humanitárias ou económicas.
O objetivo deste estudo foi avaliar a associação entre características clínicas e determinantes sociais com a mortalidade e morbidade grave relacionadas à infeção por SARS-cov-2 nas grávidas. Nesse sentido foram incluídas as mulheres grávidas com RT-qPCR positivo do Registro Nacional Mexicano de Coronavírus, estudo de coorte prospetivo em curso a nível nacional. O desfecho primário foi morte por COVID-19. Os desfechos secundários foram pneumonia, intubação e admissão nas unidades de cuidados intensivos. A associação entre comorbidades e características sociodemográficas com cada desfecho adverso foi explorada por um modelo de regressão log-binomial ajustado por possíveis confundidores.
Os autores constataram 176 (1,35%) mortes maternas entre 13.062 grávidas recrutadas. Incidência de morte semelhante (1,3%) ao estudo multicêntrico recente de A. Khalil com coorte de 793 grávidas. Zambrano, descreveu uma mortalidade de 0,14% em gestantes sintomáticas com infeção por SARS-CoV-2, no entanto o mesmo autor mostrou que grávidas latino-americanas que vivem nos Estados Unidos e pertencem a um grupo minoritário vulnerável, têm um maior risco de mortalidade relacionada ao COVID-19.
Pontos fracos: a omissão dos desfechos perinatais. Pontos fortes: a dimensão da amostra e ter confirmado que idade materna avançada, diabetes, hipertensão, obesidade, vulnerabilidade social e baixo nível socioeconômico são fatores de risco de mortalidade.
Conclui-se da relevância da clínica ao ter em conta o caracter heterogéneo da composição atual da sociedade portuguesa e sua vulnerabilidade como alavanca das decisões políticas em regras sanitárias e otimização dos recursos escassos do SNS.